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sábado, 21 de maio de 2011

15-M tem clima de festa na véspera de eleições

Policia não interfere e acampamento não tem data pra ser removido
André de Virgiliis
MADRI. O movimento 15-M voltou a afirmar sua força ao desafiar a proibição oficial de manifestações no dia reflexivo. O veto serviu, sim, para animar os espanhóis que lotaram mais do que nunca a Puerta del Sol e fizeram do sábado o grande dia de protestos até o momento, com 24 mil presentes.
À meia-noite de ontem, a multidão se calou e o silêncio dominou um dos locais mais agitados da cidade. Os manifestantes ergueram os braços e os sacudiram em uma espécie de “grito mudo”. A intenção foi mostrar aos políticos que o movimento não pretende influir nas eleições, apenas difundir suas reivindicações.
O dia foi marcado pela tranquilidade e por atividades lúdicas que mantiveram o clima descontraído no acampamento. Um passeio reflexivo até uma praça próxima, teatro, a criação de uma horta em um jardim da praça, shows, oficinas circenses e outras atividades animaram a jornada que correu em um verdadeiro clima de festa. O serviço de limpeza pública de Madri informou que a praça ocupada estava três vezes mais limpa do que em um dia normal.

Espanhóis convocam Europa a se unir à causa. EUA e Canadá tiveram protestos neste sábado.
A legislação espanhola impede que se dissolva uma manifestação, caso não haja incidentes de violência ou ações diretamente ligadas ao processo eleitoral. Na mesma linha, a Convenção Europeia de Direitos Humanos atesta que uma manifestação pacífica nunca deve ser dissolvida, mesmo que não conte com autorização oficial. Assim, a polícia foi instruída a não intervir, salvo em casos de violência. Segundo o governo, é a melhor medida para evitar um problema maior.
Em Madri e na Espanha como um todo, o 15-M segue crescendo em número, organização e infraestrutura. Os revoltosos já se definem como uma “Cidade-Estado com vocação de permanência, disposta a sobreviver além do 22 de maio (dia das eleições regionais no país)”, segundo um de seus porta-vozes.
@andrestv

sexta-feira, 20 de maio de 2011

15-M ganha o mundo

Mídias sociais foram o caminho encontrado pelos revoltosos para conquistar apoio

André de Virgiliis

MADRI. Londres, Paris e Lisboa já apoiavam as manifestações na Espanha desde quarta-feira. Mas ontem o movimento se estendeu a outros países. As convocações foram feitas pelas redes sociais e convidam todos a organizar protestos pacíficos em apoio às reivindicações dos espanhóis.

Itália, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Argentina, Colômbia, Argentina, Escócia, França Suécia, México, Nicarágua, Uruguai, República Checa, Portugal, Camboja, Marrocos, Romênia, Noruega, Polônia, Áustria e até o Brasil são os países com manifestações agendadas até o momento. A maioria dos protestos conta com presença de espanhóis e estrangeiros e acontece entre hoje e amanhã próximo a embaixadas espanholas.

A expansão do movimento ocorreu graças ao sucesso do assunto nas redes sociais. Vídeos, fotos e informações em tempo real inundam os tweets espanhóis, que agoram ganham atenção internacional.


Mais uma das fotos populares nas redes sociais dos manifestantes

A mídia convencional também abordou o tema. Os americanos The Washington Post e The New York Times, os franceses Le Monde e Libération, e o italiano Corriere della Sera publicaram matérias sobre o Movimento dos Indignados. No Brasil, o assunto ainda não ganhou as matérias

No site tomalaplaza.net, é possível acompanhar mais de perto a evolução do 15-M. No grupo Flickr Spanish Revolution, os usuários partilham fotos do acampamento.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

15-M desafia veto oficial

Documento com propostas é produzido por manifestantes que prometem nova ação no dia anterior às eleições

André de Virgiliis

MADRI. A tarde desta quarta-feira trouxe a proibição dos protestos na capital espanhola. A Junta Electoral Provincial de Madrid declarou que o movimento afeta diretamente a campanha dos candidatos regionais. Graças à decisão, até o fim da noite, 500 policiais se concentraram no lugar. Mas era impossível conter um número tão grande de pessoas e, às 21h, a principal praça da cidade estava completamente lotada. Indiferentes à decisão, o Movimento dos Indignados, como passou a ser chamado, declarou que haverá uma grande caminhada no sábado, véspera das eleições.

Ontem, também, foram distribuídas folhas em branco nas quais os manifestantes deveriam listar reivindicações e propostas. As ideias serão traduzidas em um documento que deverá incluir reforma na lei eleitoral, bloqueio da candidatura de políticos com condenação na justiça e uma revisão no financiamento dos partidos.


Jóvens sofrem com o frio e a chuva, mas permanecem firmes na Puerta del Sol

A lei espanhola exige uma comunicação com antecedência de 10 dias para a realização de manifestações, salvo em caráter de urgência, quando o prazo é reduzido para 24h. Além disso, qualquer ato de caráter reivindicativo é proibido na véspera das eleições, dia reflexivo. Os revoltosos, no entanto, acreditam que quem precisa de um tempo para refletir são os próprios políticos e a caminhada de sábado promete ser o maior dos eventos desde o início do 15-M, no último domingo.

Sob chuva e frio, um porta-voz do grupo declarou que os concentrados não se identificam com a decisão da Junta Electoral. Segundo ele, a legalidade da manifestação é garantida pelo artigo 21 da Constituição, que diz “Se reconhece o direito de reunião pacífica e sem armas. O exercício desse direito não necessitará autorização prévia”.

A polêmica que envolve o 15-M cresceu com a recente declaração de César Vidal, jornalista e escritor espanhol. Depois de caracterizar a manifestação popular como “suspeitosa”, em seu programa de rádio, ele descreveu os indignados como “o mais baixo da esquerda espanhola”. Para terminar, chegou a relacionar os participantes do movimento a grupos terroristas, como o ETA.