domingo, 5 de junho de 2011

O povo já não tem medo de porrada, e agora?

Cenas impressionantes da repressão violenta levada pela polícia e da resistência heróica dos manifestantes do 15-M, em Madrid. Apanharam e não recuaram.


Protestos seguem em diversas cidades espanholas: www.tomalaplaza.net

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Partido de Zapatero sofre derrota histórica

Puerta del Sol permanece tomada por pelo menos mais uma semana

André de Virgiliis

MADRI. O PP (Partido Popular) arrasou o PSOE (Partido Socialista Operário da Espanha) em todo o país nas eleições de ontem. Ainda antes do resultado oficial o primeiro-ministro e socialista José Luis Zapatero veio a público assumir a derrota. Enquanto isso, o 15-M segue até domingo, quando define seu futuro.

Na capital, coração das manifestações, a candidata do PP, Esperanza Aguirre foi reeleita. Na sua primeira fala após conhecer o resultado, a política disse que governará para todos os madrilenos, “especialmente os mais necessitados”. Como se já não fosse uma noite suficientemente boa para ela, seu partido conquistou 51,74%, em Madri. Dessa forma, o PP alcançou a maioria absoluta também no legislativo em eleições que atingiram 67,89% de participação, 1% a mais do que em 2007.


Aguirre ganha parabéns afetuoso de Rajoy, presidente do PP

O PSOE sentiu o golpe. Em todo o país, o partido perdeu 1,5 milhão de votos enquanto o rival cresceu em meio milhão, em comparação às eleições regionais de 2007. Os socialistas perderam algumas de suas áreas tradicionais, como Sevilha e a prefeitura de Barcelona, uma das principais do país, que detinham há 32 anos.

Enquanto o PP levou 10 das 13 comunidades autônomas que tiveram eleições neste domingo, o PSOE não ficou com nenhuma, e depende de um acordo com o IU (Esquerda Unida) para governar Extremadura.


Entre companheiros de partido, Zapatero assumiu a derrota publicamente.

Há quatro anos, o Partido Popular havia batido os socialistas por sete décimos. Em 2011, a diferença passou para mais de 10 pontos de vantagem. Analistas acreditam que o resultado histórico se deva à má gestão do primeiro-ministro, Zapatero, ícone maior do PSOE no país. Em todo a Espanha, 66,23% dos eleitores compareceram às urnas.

Vídeo com cenas de confrontos com a polícia e entrevistas com manifestantes

Enquanto isso, na Puerta del Sol, os manifestantes iniciaram sua segunda semana de protestos em um clima tranquilo, como tem sido. As autoridades estudam tirar as ambulâncias de prontidão no local, devido à ausência de incidentes. Os resultados eleitorais parecem não preocupar muito os revoltosos. “Nem sequer estou seguindo os resultados e dá no mesmo quem ganhe, porque não haverá muita diferença”, comentou um dos indignados. O 15-M continua forte por, pelo menos, mais uma semana.

Acompanhe o 15-M, ao vivo

domingo, 22 de maio de 2011

Tranquilidade marca dia de eleições regionais em Madri

Ao contrário do esperado, participação no processo eleitoral tem aumento

André de Virgiliis

MADRI. A principal praça da capital espanhola permanece tomada pela massa que decidiu não deixar o local na noite de hoje, como previsto. Depois de mais uma assembléia, os manifestantes anunciaram que ficarão na Puerta del Sol, no mínimo, até o próximo domingo, quando definirão o destino do movimento. Enquanto isso, de acordo com pesquisas boca de urna, o PSOE (Partido Socialista) se prepara para uma noite de resultados decepcionantes em todo o país.

Muito se falou durante a semana sobre um movimento de boicote às eleições no país. Não foi o que aconteceu. Entre os TT’s (assuntos mais comentados no Twitter) da Espanha, apareceu hoje a tag “#yovoto” (eu voto), referência à importância de um voto consciente para alcançar uma democracia real, reivindicação chefe dos manifestantes.


Após fechamento das urnas, manifestantes continuam acampados na
Puerta del Sol

Na concentração do 15-M, a jornada correu sem incidentes. Debaixo de um forte sol, crianças e adultos se divertiram em mais um dia repleto de atividades lúdicas. Como prometido, não se viu nenhum tipo de referência a partidos e/ou políticos e o movimento não atrapalhou em nada o processo eleitoral.

Vídeo com cenas dos confrontos do último domingo e entrevistas com manifestantes

Dados oficiais mostram que houve um aumento de participação em relação às eleições municipais de 2007. Até agora não se calculou exatamente o índice desse crescimento. As pesquisas boca de urna anunciam uma vitória do PP (Partido Popular) pelo país afora. Até mesmo Barcelona, governada pelos socialistas há 32 anos, deve mudar de mãos.

AO VIVO: Veja o movimento na Puerta del Sol, coração do 15-M

Dia de eleições: acompanhe movimento 15-M, ao vivo

MADRI. As urnas abriram normalmente na manhã deste domingo e, até o momento, a votação flui sem incidentes. Abaixo, link ao vivo mostra tudo o que acontece na Puerta del Sol, coração da manifestação na Espanha.

         
Video streaming by Ustream

sábado, 21 de maio de 2011

15-M tem clima de festa na véspera de eleições

Policia não interfere e acampamento não tem data pra ser removido
André de Virgiliis
MADRI. O movimento 15-M voltou a afirmar sua força ao desafiar a proibição oficial de manifestações no dia reflexivo. O veto serviu, sim, para animar os espanhóis que lotaram mais do que nunca a Puerta del Sol e fizeram do sábado o grande dia de protestos até o momento, com 24 mil presentes.
À meia-noite de ontem, a multidão se calou e o silêncio dominou um dos locais mais agitados da cidade. Os manifestantes ergueram os braços e os sacudiram em uma espécie de “grito mudo”. A intenção foi mostrar aos políticos que o movimento não pretende influir nas eleições, apenas difundir suas reivindicações.
O dia foi marcado pela tranquilidade e por atividades lúdicas que mantiveram o clima descontraído no acampamento. Um passeio reflexivo até uma praça próxima, teatro, a criação de uma horta em um jardim da praça, shows, oficinas circenses e outras atividades animaram a jornada que correu em um verdadeiro clima de festa. O serviço de limpeza pública de Madri informou que a praça ocupada estava três vezes mais limpa do que em um dia normal.

Espanhóis convocam Europa a se unir à causa. EUA e Canadá tiveram protestos neste sábado.
A legislação espanhola impede que se dissolva uma manifestação, caso não haja incidentes de violência ou ações diretamente ligadas ao processo eleitoral. Na mesma linha, a Convenção Europeia de Direitos Humanos atesta que uma manifestação pacífica nunca deve ser dissolvida, mesmo que não conte com autorização oficial. Assim, a polícia foi instruída a não intervir, salvo em casos de violência. Segundo o governo, é a melhor medida para evitar um problema maior.
Em Madri e na Espanha como um todo, o 15-M segue crescendo em número, organização e infraestrutura. Os revoltosos já se definem como uma “Cidade-Estado com vocação de permanência, disposta a sobreviver além do 22 de maio (dia das eleições regionais no país)”, segundo um de seus porta-vozes.
@andrestv

sexta-feira, 20 de maio de 2011

15-M ganha o mundo

Mídias sociais foram o caminho encontrado pelos revoltosos para conquistar apoio

André de Virgiliis

MADRI. Londres, Paris e Lisboa já apoiavam as manifestações na Espanha desde quarta-feira. Mas ontem o movimento se estendeu a outros países. As convocações foram feitas pelas redes sociais e convidam todos a organizar protestos pacíficos em apoio às reivindicações dos espanhóis.

Itália, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Argentina, Colômbia, Argentina, Escócia, França Suécia, México, Nicarágua, Uruguai, República Checa, Portugal, Camboja, Marrocos, Romênia, Noruega, Polônia, Áustria e até o Brasil são os países com manifestações agendadas até o momento. A maioria dos protestos conta com presença de espanhóis e estrangeiros e acontece entre hoje e amanhã próximo a embaixadas espanholas.

A expansão do movimento ocorreu graças ao sucesso do assunto nas redes sociais. Vídeos, fotos e informações em tempo real inundam os tweets espanhóis, que agoram ganham atenção internacional.


Mais uma das fotos populares nas redes sociais dos manifestantes

A mídia convencional também abordou o tema. Os americanos The Washington Post e The New York Times, os franceses Le Monde e Libération, e o italiano Corriere della Sera publicaram matérias sobre o Movimento dos Indignados. No Brasil, o assunto ainda não ganhou as matérias

No site tomalaplaza.net, é possível acompanhar mais de perto a evolução do 15-M. No grupo Flickr Spanish Revolution, os usuários partilham fotos do acampamento.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

15-M desafia veto oficial

Documento com propostas é produzido por manifestantes que prometem nova ação no dia anterior às eleições

André de Virgiliis

MADRI. A tarde desta quarta-feira trouxe a proibição dos protestos na capital espanhola. A Junta Electoral Provincial de Madrid declarou que o movimento afeta diretamente a campanha dos candidatos regionais. Graças à decisão, até o fim da noite, 500 policiais se concentraram no lugar. Mas era impossível conter um número tão grande de pessoas e, às 21h, a principal praça da cidade estava completamente lotada. Indiferentes à decisão, o Movimento dos Indignados, como passou a ser chamado, declarou que haverá uma grande caminhada no sábado, véspera das eleições.

Ontem, também, foram distribuídas folhas em branco nas quais os manifestantes deveriam listar reivindicações e propostas. As ideias serão traduzidas em um documento que deverá incluir reforma na lei eleitoral, bloqueio da candidatura de políticos com condenação na justiça e uma revisão no financiamento dos partidos.


Jóvens sofrem com o frio e a chuva, mas permanecem firmes na Puerta del Sol

A lei espanhola exige uma comunicação com antecedência de 10 dias para a realização de manifestações, salvo em caráter de urgência, quando o prazo é reduzido para 24h. Além disso, qualquer ato de caráter reivindicativo é proibido na véspera das eleições, dia reflexivo. Os revoltosos, no entanto, acreditam que quem precisa de um tempo para refletir são os próprios políticos e a caminhada de sábado promete ser o maior dos eventos desde o início do 15-M, no último domingo.

Sob chuva e frio, um porta-voz do grupo declarou que os concentrados não se identificam com a decisão da Junta Electoral. Segundo ele, a legalidade da manifestação é garantida pelo artigo 21 da Constituição, que diz “Se reconhece o direito de reunião pacífica e sem armas. O exercício desse direito não necessitará autorização prévia”.

A polêmica que envolve o 15-M cresceu com a recente declaração de César Vidal, jornalista e escritor espanhol. Depois de caracterizar a manifestação popular como “suspeitosa”, em seu programa de rádio, ele descreveu os indignados como “o mais baixo da esquerda espanhola”. Para terminar, chegou a relacionar os participantes do movimento a grupos terroristas, como o ETA.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Governo acusa esquerda de manipular 15-M

Manifestação conturba semana de campanha dos candidatos

André de Virgiliis

MADRI. Há 5 dias das eleições, Esperanza Aguirre, presidenta de província de Madrid disse ter medo de que a oposição se aproveite do movimento 15-M para atingir seu partido, o PP (Partido Popular). Há rumores de que o candidato socialista, Tomás Gómez, tenha enviado um emissário para apurar se sua presença entre os manifestantes seria bem aceita. Os acampados, no entanto, não teriam mostrado entusiasmo com a ideia. Eles negam qualquer tipo de vinculação política.

A presidenta chegou a recomendar aos manifestantes que mostrem toda a sua indignação votando contra o PSOE , Partido Socialista Operário da Espanha, sigla do primeiro-ministro José Luis Zapatero. Depois, ironizou um dos cartazes levados pelos manifestantes dizendo “Esperanza, we hate you” (Esperanza, te odiamos). Segundo a política, graças à implementação da educação bilíngue nas escolas da capital, mais madrilenos podem compreender a frase.

Depois de Aguirre, canal de TV espanhol Interconomía alega que “socialistas e comunistas dirigem o motím de Madri”

Um dos revoltosos disse que Tomás Gómez de fato havia telefonado a um líder de um dos coletivos organizadores do protesto para analisar os efeitos de uma possível visita. Um representante do candidato, porém, negou que tenha existido qualquer tipo de contato entre o partido e os manifestantes.


Ao menos na foto, o clima entre os candidatos ao governo de Madri é de paz

O movimento que está sendo chamado pelo governo de “anti-sistema” começou na tarde de domingo e segue firme. Espera-se que mais uma manifestação de impacto seja organizada pelos acampados para o próximo fim de semana.

Praça em Madri permanece tomada por protesto

Manifestantes culpam governo pela atual situação política e social do país

André de Virgiliis

MADRI. Após quatro dias, milhares de pessoas ainda ocupam a Puerta del Sol, principal praça da capital espanhola. Elas se concentram em frente a sede do governo regional desde a manifestação do último domingo, dia 15. A intenção é pressionar o gabinete de Esperanza Aguirre, governante da província de Madri.

A madrugada de quarta-feira trouxe um novo objetivo ao movimento já batizado como 15-M. Durante uma assembleia organizada nas primeiras horas de hoje, uma voz ao megafone perguntou se os manifestantes queriam permanecer acampados na praça. A resposta veio em um grito unido, “Sim!”. Agora, a intenção é prolongar o movimento até domingo, dia das eleições regionais.


Em frente à sede do governo regional, protestantes mostram ao que vieram

A multidão cresce graças às convocações constantes nas redes sociais por coletivos civis. A organização impressiona, enquanto uns trabalham ou estudam, os outros permanecem na praça, sempre guardando turnos. Foram criadas ainda sete comissões de trabalho no acampamento: alimentação, infraestrutura, ação, comunicação, coordenação interna, limpeza e assessoria jurídica. A expectativa dos porta-vozes do grupo é que o protesto receba mais pessoas de hoje até o fim da semana. Uma nova ação de impacto está sendo preparada para sexta-feira ou sábado.

A plataforma Democracia Real Ya!, responsável por organizar o 15-M decidiu se desvincular oficialmente do movimento. “Apenas iniciamos tudo isso, agora os cidadãos estão organizando a si mesmos.”, declarou Carlos Paredes, um dos representantes do grupo.


Vídeo com cenas do confronto e entrevistas



Vista aérea da praça tomada

Leia Mais: Feriado na Espanha é marcado por manifestações em todo o país

Um pouco do que os revoltosos de Madri pensam

terça-feira, 17 de maio de 2011

Um pouco do que os revoltos de Madri pensam

Entrevista na íntegra com dois participantes das manifestações de Madrid no dia 15/05/11.

domingo, 15 de maio de 2011

Domingo é marcado por manifestações em todo a Espanha

Estudantes, trabalhadores e aposentados foram às ruas para protestar contra o governo uma semana antes das eleições regionais

André de Virgiliis e Fabien Ghestem

MADRI. O feriado de San Isidro foi celebrado de maneira diferente por alguns espanhóis. Na tarde deste domingo, milhares de pessoas atenderam às convocações feitas no Facebook e tomaram as ruas da Espanha. A intenção era protestar contra as medidas tomadas pelo governo para contornar a crise econômica. Até o momento contabiliza-se que 52 cidades participaram das manifestações que, na maior parte do país, correram de forma pacífica. Na capital, entretanto, houve violência para conter os ânimos de alguns revoltosos. De acordo com as contas da polícia madrilena, 16 pessoas foram presas e duas sofreram ferimentos. Quem estava ali, no entanto, pode ver que o número de feridos foi bem maior. A manifestação foi organizada pelo grupo Democracia Real Ya.

Os manifestantes, que pediam à população que votasse nulo, se concentraram na Plaza de Callao (vide mapa) com as mãos para o alto enquanto gritavam “Essas são nossas armas!”. Apesar do grande número, não puderam furar o bloqueio dos agentes da Unidade de Intervenção Policial – mais conhecidos como antidistúrbios – que tentavam evitar que o protesto alcançasse a Gran Vía, uma das avenidas mais importantes da cidade.

Cercados, os revoltosos fugiram em direção à Puerta del Sol – um dos maiores pontos turísticos de Madri –, ateando fogo em latões de lixo e montando obstáculos para evitar a evolução dos policiais. No caminho, protestantes que se descolaram da massa acabaram sendo covardemente agredidos e alguns presos.


Policiais se organizam para novo confronto

Já na Puerta del Sol os manifestantes se reorganizaram e ganharam força. Os policiais não hesitaram em usar seus morteiros, escudos e porretes para conter os mais exaltados. Uma parte do grupo de revoltosos entrou em novo confronto com a polícia e teve que fugir pela Calle del Correo, em direção a região de Tirso de Molina. Durante a fuga, os enfrentamentos se tornaram mais violentos. Estudantes e trabalhadores, mais uma vez, montaram barricadas com metais e fogo para impedir a passagem dos carros que traziam os policiais. Nesse caminho várias pessoas foram agredidas mas acabaram fugindo sem pedir socorro, o que pode ter ocasionado o equívoco nas informações oficiais até o momento.

Depois de alguns minutos de muita correria e explosões, a polícia conseguiu dispersar os manifestantes. Os que restaram, se organizaram na Praça del Sol e puderam festejar ao ver a maior parte das forças policiais deixarem o lugar.


Sentados, estudantes ironizam as autoridades: “Logo dirão que somos cinco ou seis”


Compacto com cenas dos confrontos e entrevistas.


1 – Plaza de Callao; 2 – Gran Vía; 3 – Puerta del Sol; 4 – Calle del Correo.

Agradecimentos: Inacio Martinelli e Rita Correia

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

oi!

Este site está em constante construção.

Você pode navegar pelos textos utilizando o menu ao lado, eles estão organizados por tipos.

Não deixe também de entrar no meu outro blog, utilizando o link no alto à direita ou entrando diretamente em www.diario-ag.blogspot.com, aqui você vai encontrar meu diário de viagem de mochilão por Bolívia, Peru e Chile com meu amigo Guilherme (Maricá) Fagundes.

Espero que goste.

André de Virgiliis
andrestv89@gmail.com

matéria: grife don diz

Gêmos cariocas se destacam nos states
Thadeu e Felipe Diz mostram seu talento no cenário internacional da moda

André de Virgiliis

Irmãos gêmeos, naturais do Rio de Janeiro, Thadeu e Felipe rodaram meio mundo até se radicarem em Los Angeles. Lá, tiveram seus talentos testados ao trabalhar em marcas já consolidadas no mercado mundial como Abrecrombie & Fitch, Channel e Louis Vuitton.

Com experiência de sobra e à procura de um novo desafio, os irmãos, sempre juntos, deram à luz a um novo projeto em 2007, a grife Don Diz. A marca, que tem o sorvete com logotipo, traz estampas descontraídas, modernas e carregadas de um estilo urbano sempre presente em cidades como Nova York e Los Angeles. A inspiração vem da própria vida dos gêmeos, dos seus pensamentos e visões e tem como objetivo alcançar pessoas de diferentes estilos.

Mas toda essa irreverência anda de mãos dadas com uma boa dose de seriedade, como não poderia deixar de ser em uma empresa de sucesso. Todas as peças, estampas e lavagens são rigorosamente testadas e retestadas até que estejam perfeitas e só aí são lançadas. Além disso, a grife não esquece a filantropia. Parte do lucro obtido com a venda das peças da sub-coleção Flag Cone Series é revertido para ajudar os necessitados, que na verdade, sempre foi uma das motivações principais para a existência da grife.

Além dos irmãos Diz, a equipe também conta com uma senhora equipe de designers: Pedro Seixas, Paulo Feitosa e Yumi Inada.

Por enquanto a Don Diz só está operando nos Estados Unidos. Mas a boa notícia é que os irmãos Diz já noticiaram que muito em breve estarão trazendo a marca ao Brasil, o bom filho à casa torna.

www.dondiz.com



matéria: los hermanos

Enquanto os Hermanos não vêm
Saiba como matar a saudade do som do Los Hermanos enquanto a banda não volta

André de Virgiliis

A banda Los Hermanos se apresentou nessa sexta-feira, dia 20, no Rio de Janeiro e sábado, dia 22, em São Paulo. No embalo dessas apresentações, muito se voltou a discutir sobre a separação do grupo, já que ela nunca foi anunciada oficialmente por seus integrantes. De qualquer forma, após quase dois anos sem nenhuma atividade em conjunto, dá pra dizer que foi o show da volta do grupo carioca. Resta saber se foi uma volta definitiva ou apenas um show de reunião e nada além. Ainda paira a dúvida.

Mas ao invés de perder tempo discutindo isso, vale mais a pena dar uma passada nos trabalhos que estão sendo desenvolvidos pelos integrantes da banda nesse meio tempo.

Marcelo Camelo decidiu aproveitar esse período para embarcar em sua carreira solo. Em 2008 lançou o álbum “Sou”. O disco apresenta 14 canções compostas por Camelo e conta com várias participações especiais. A pianista Clara Sverner, a banda paulistana Hurtmold e o imortal sanfoneiro Dominguinhos são alguns dos artistas que participam do CD. Mas sem dúvida o destaque é Mallu Magalhães. Em meio a muito “disse-me-disse” sobre estar, ou não, namorando Marcelo, a menina de 16 anos mostrou que já sabe muito bem o que quer. Diretamente do site de relacionamentos MySpace, onde fez muito sucesso, participou de maneira genial da faixa “Janta” que acabou por ser escolhida pela revista Rolling Stone como a melhor faixa do ano de 2008. Tá bom né?

Sucesso de público e crítica, “Sou” só vem a reforçar o enorme talento de Marcelo Camelo mesmo sem as guitarras e bateria marcantes que podiam ser ouvidas em algumas de suas canções nos Hermanos. Um estilo mais tranquilo, a mesma qualidade.

Já Rodrigo Amarante traçou um caminho alternativo. Ele, que havia conhecido Fabrizio Moretti - brasileiro e baterista do The Strokes - em um festival em Lisboa um ano antes, se juntou a ele e, posteriormente, à multi-instrumentista Binki Shapiro e deu início à banda Little Joy em 2007. Os três se reuniram em Los Angeles e compuseram, lá, o álbum honônimo à banda. O lançamento acoanteceu em 2008 e a produção traz onze faixas. O álbum “Little Joy” teve como produtor Noah Georgeson, aquele mesmo que já havia produzido músicas de Devendra Banhart. Faixas como “No One’s Better Sake”, “The Next Time Around” e “Unattainable” traduzem bem o estilo da banda com melodias suaves e letras – em inglês - carregadas de poesia. A lembrança à lingua materna aparece na última faixa, “Evaporar” interpretada por Amarante.

Assim como Camelo, Amarante conseguiu manter a qualidade de seus trabalhos que sempre o companhou na antiga banda, atingindo, se não superando, todas as expectativas em seu álbum.

E aí surge a pergunta, “Mas e os outros dois Hermanos?”. Sem tanto destaque, Bruno Medina acompanha Adriana Calcanhoto, tocando teclado. Já Rodrigo Barba entrou em turnê com a banda de hardcore Jason, aquela mesma que tocava junto com o Los Hermanos em 1998. Ele participa ainda da banda mineira Latuya e, em meados de 2007, se tornou baterista da banda Canastra, substituindo Marcelo Callado. Vale a pena dar uma ouvida em Canastra, uma banda de som bem próprio e descontraído.

Fica a certeza de que o Los Hermanos nunca deixará de existir e todos esses trabalhos paralelos só deixam aos fãs motivos de sobra pra sorrir e esperarem tranquilos a volta dos velhos e bons Hermanos, até lá a galera não ficará na mão.

trabalho de mkt: + performance

Trabalho para a disciplina de Marketing, professor Fred Tavares.

Nesse projeto tínhamos que desenvolver toda uma capanha de marketing, desde o desenvolvimento do produto até a confecção das peças publicitárias, passando por análise SWOT, pesquisa de mercado, estratégias e táticas de marketing, etc.

As únicas instruções recebidas foram as de que teríamos de desenvolver um produto fruto de um co-branding entre Nike e Gillete, que a praça deveria ser Rio-São Paulo e que teríamos 500 mi de orçamento.

Eu fiquei responsável pelas partes de desenvolvimento do produto e confecção das peças. Abaixo reproduzo o texto que descreve oproduto desenvolvido. Mais abaixo, ainda algumas das 18 peças que constituíram esta campanha, só para servir de exemplo.


Produto: + Performance

O “+ Performance” é um produto oriundo de um Co-branding entre Nike e Gillette. Totalmente desenvolvido através de longas pesquisas no norte do país, o “+ Performance” tem todas as suas matérias primas extraídas da flora amazônica e é um projeto totalmente nacional.

O produto, em questão, se constitui de um conjunto de três aerosois: + Performance Pre-Action, + Performance In-Action e + Performance After-Action. Esses três artigos tem como função a regulação da temperatura do corpo do atleta para um maior desempenho, por mais tempo; além de evitar lesões e desconfortos musculares durante e após a prática de exercício. O + Performance serve a qualquer tipo de esportista, ao passo que pode ser utilizado em qualquer músculo, ou grupo muscular do corpo humano.

+ Performance Pre-Action:

Produto para aplicação momentos antes do início da prática do exercício. Tem a função de auxiliar no aquecimento dos músculos. Dessa forma, o atleta pode diminuir o nível de exigência em seu aquecimento e, mesmo assim, reduzir o risco de lesões e está instantaneamente pronto para atingir sua performance máxima, mesmo nos primeiros segundos de exercício.

+ Performance In-Action:

Produto para aplicação durante a prática esportiva. Tem a função de auxiliar na manutenção da temperatura ideal dos músculos. Ideal para uso no caso de pequenos intervalos em meio ao exercício. Da mesma forma que o Pre-Action, permite que o atleta reinicie sua atividade com os músculos em temperatura perfeita, reduzindo o risco de lesões e proporcionando-lhe a certeza de estar sempre apto a atingir seu ápice, a qualquer momento.

+ Performance After-Action:

Produto para aplicação após o término da prática esportiva. Todo o atleta merece seu descanso. Ao ser utilizado após o exercício, After-Action tem como função o resfriamento e relaxamento dos músculos. Dessa forma o atleta sente conforto e tem certeza de segurança quanto a sua saúde.

Agrupados, esses três artigos formam um produto totalmente inovador e de grande utilidade tanto para os esportistas profissionais quanto aos amantes do esporte. Skatistas, corredores, lutadores, jogadores de futebol, todos se beneficiariam consideravelmente com o uso do + Performance.


Peças

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Teaser fase 2 - pre-action vertical

Teaser fase 2 - after-action horizontal

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Peça principal - pre-action horizontal

Peça principal - pre-action vertical

texto de ficção

Aranha Enrugada
André de Virgiliis

Júlio e Púlio. Irmãos. Gêmeos. Vizinhos, companheiros no basquetebol, colegas de trabalho. Dia sim, dia também os dois acordavam na mesma hora, levantavam da cama pelo mesmo lado e tomavam o comunicador nas mãos. Dia sim, dia também. Se eram excêntricos? E não? Mas o comunicador era engenhoso. Uma lata de Sustagem, um fio de barbante puído e uma lata de óleo Lisa na outra ponta. Coisa que criança de dez anos nenhuma era capaz, sequer, de imaginar. Júlio e Púlio. Irmãos. Gêmeos.

O sonho de Júlio sempre foi encontrar uma esposa. Uma esposa que lhe lembrasse sua avó, velha e carcomida, mas com muito amor pra dar. Não é a toa que sua avó era conhecida como Aranha Enrugada nas ruas da parte baixa. Ele era romântico. Púlio não. Púlio era bravo, queria um cachorro. Feroz. Capaz de aniquilar em poucos segundos o filho do vizinho na próxima vez em que o retardado chutasse a maldita bola em seu portão recém pintado. O portão era como um filho para Púlio.

Júlio só comia salsichas temperadas por Púlio que, por sua vez, não comia nada. Ele acreditava que essas coisas industrializadas o faziam mal, artigos naturais para ele eram impregnados de agrotóxicos e não acreditava em orgânicos. Só tolerava a manteiga, e era só de que se alimentava. Dizem que uma vez chegou a quebrar o braço de um amigo que lhe apresentou um pote de Qually em sua festa de aniverário de 39 anos. Ao ser questionado sobre o assunto, Púlio só bate o ombro e diz: “Mentira! Ele nem era meu amigo.”.

E numa segunda-feira suas vidas mudariam definitivamente – esse dia é lembrado e comemorado lá até hoje, é feriado na rua inteira, soltam-se balões e cantam-se canções de Agnaldo Rayol. Se encontraram no orelhão a meia distância da casa dos dois. Uniformizados, sapatos lustrados. Júlio usava o cabelo lambido para a direita, Púlio para a esquerda. Júlio sempre esteve mais na moda, era uma coisa dele. Tomaram o ônibus e caíram no sono ao passar pela terceira árvore depois da banca. Júlio acordou assustado, se debatia. Púlio se espantou com o estado do irmão e perguntou o que acontecera. Júlio, sem palavras, apontava os postes que passavam com sua mão molenga. "PROCURA-SE AMOR A PRIMEIRA VISTA. CUIDADO COM O CÃO" , era o que se via escrito em todos os postes da Avenida Tchubaruba. Os olhos de Púlio se encheram de lágrimas, seu queixo caiu e sua língua ficou dura. Teriam eles encontrado tudo que mais procuravam?

Sem pensar duas vezes saltaram do ônibus e correram ao poste mais próximo. Havia um telefone. 3451-8903-4031-1. Pensaram em ligar mas não tinham celular, nunca gostaram desse treco, podia matar se bateria explodisse na hora em que se falava. Será que eles atendiam ligação via fio de barbante puído? Era provável que não. Púlio puxou sua caneta e transcreveu o telefone para a testa de Júlio. Foram até o bar mais próximo para fazer a ligação. Antes, ligaram para o trabalho e se demitiram, aproveitaram para xingar o chefe, o Tatá, crápula. Feito isso se puseram a ligar para o telefone na testa de Júlio. Atenderam!

– Farmácia Dos Gritos, pois não?

– Eu queria saber sobre o cachorro, eu quero falar com o cachorro! - Disse Púlio, histérico.

– Cachorro é o seu pai, seu arrombado!

Júlio, desesperado arrancou o telefone da mão do irmão.

– Eu quero falar com a esposa! Me chama a esposa!

– A esposa é minha e você vai falar com o meu 38 seu filho de uma quenga! Não liguem mais pra cá ou eu mato vocês!

Se olharam, choraram por três minutos e meio. Púlio se agachou, Júlio subiu em sua garupa e se foram. Hoje em dia eles trabalham no bordel de sua avó. Em seus uniformes trazem a figura de uma aranha enrugada. Se são felizes? E não são? Todo ano, naquele dia o bordel fecha, soltam-se balões e cantam-se canções do Agnaldo Rayol. E eles gostam. Menos Júlio. Mas Púlio tá pouco se fudendo pro irmão.

a cor no cinema

A cor entra em Cena
André de Virgiliis

Aos mais novos pode parecer que cinema e cor se relacionam desde os primórdios. E, de fato, é verdade mas não do modo que conhecemos hoje. Em suas origens o cinema foi logo apresentado à colorização, processo que consistia em colorir, à mão, os fotogramas, um a um. Os filmes que adotavam esse processo eram colorizados. Diferiam, assim, dos coloridos que captavam as cores pelo processo fotográfico.

Tomas Edison, importantíssimo no cinema das origens com invenções como o cinetógrafo, o cinetoscópio, o cinefone e o vitascópio, experimentou o processo de colorização em seus filmes. No entanto, decidiu abandoná-lo por ser demasiado caro. O fato de utilizar grande quantidade de mão-de-obra contribuía sensivelmente para isso.

Haviam algumas técnicas diferentes de se colorizar um filme. Em comum, elas tinham a característica de serem artesanais, lentas e extremamente caras, além de apresentarem um resultado pobre em qualidade, com cores visivelmente artificiais. Um exemplo de filme colorizado é The Great Train Robbery (1903) de Edwin Porter.

Na tentativa de produzir filmes realmente coloridos alguns processos de cinematografia a cores foram desenvolvidos e patenteados na Europa e nos EUA. Kinemacolor, Chronochrome, UFAcolor, Prizma, Multicolor, Magnicolor, Cinecolor e Sennett Color são exemplos desses processos. Apesar de muitos acreditarem que o Kinemacolor foi o primeiro êxito no processo de coloração, as tentativas mais bem sucedidas foram desenvolvidas nos EUA, a partir de 1915, pela Technicolor.

O primeiro sistema desenvolvido pela empresa utilizava uma câmara que filtrava as ondas de luz verde e vermelha que eram impressas separadamente em duas películas. Durante a exibição, um projetor especial corria as duas películas simultaneamente e projectava as imagens no ecrã. Os resultados ainda não eram satisfatórios, as cores não eram tão naturais quanto se esperava. A pele tinha uma reprodução de cor boa mas o céu e o mar acabavam por apresentar tons de cinza, e não o azul. E os custos eram ainda, muito elevados. Esse sistema foi abandona, mas teve tempo para se eternizar em Gulf Between, 1917 – primeiro filme a utilizar esse processo –, The Black Pirate, 1926 foi seu maior sucesso de bilheteria.

Na década de 30 a Technicolor evoluiu seu produto e apresentou o primeiro processo realmente industrial de cor no cinema. O Technicolor Tripack, ou Technicolor de três películas. O novo sistema funcionava de maneira similar ao anterior mas usava três películas ao invés de duas. Era uma mudança que trazia evolução significativa na qualidade. Pelo fato do Technicolor ter baixa sensibilidade, 8 ASA*, era usada muita luz para a captação, o que resultava em imagens bem contrastadas.

Nessa época muitos produtores já acreditavam que a introdução da cor pudesse chamar demais a atenção do espectador, ofuscando o enredo e a interpretação dos atores. A Technicolor precisava contornar essa situação. A empresa, então, contratou Nathalie Kalmus, mulher do inventor do processo de coloração, que se encarregaria de designar uma paleta de cores específica para cada roteiro. Os diretores de fotografia e de arte eram também indicados e chancelados pela empresa.

O projeto continuou e em 1934, a Pioneer Pictures Corporation, cujos donos eram também os principais investidores da Technicolor, produziu o curta-metragem La Cucaracha com direção de Lloyd Corrigan. Foi o primeiro filme colorido com o novo sistema e custou quatro vezes mais do que a média da época para uma produção em preto e branco. Era o primeiro passo do sucesso do Technicolor de três películas.

Em 1935, Becky Sharp, do diretor Rouben Mamoulian trazia em seu trailer imagens em preto e branco que se tornavam coloridas, além de cartazes anunciando o primeiro longa-metragem colorido pela nova técnica (Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=a-P_Ira6kgE). Era o sinal de uma verdadeira revolução que tomava forma com a real possibilidade da massificação dos filmes coloridos.

Foram, então, revisitados os debates sobre a forma de utilizar a cor, agora no cinema. Questões já abordadas nas artes visuais em geral voltaram à cena. Nathalie Kalmus, depois de já ter atuado como consultora de cor em mais de 300 produções, publicou um artigo de título “Consciência da Cor” que definia regras básicas no seu uso. Essas regras iriam determinar a estética hollywoodiana pelas próximas três décadas.

Em resumo, essas regras diziam que cores quentes (vermelhos, alaranjados e amarelos) despertavam sensações de excitação, atividade e calor. Já as cores frias (verdes, azuis e roxos) evocavam repouso, tranquilidade e frieza. Até aí, nenhuma novidade. A segunda regra determinava que era mais pertinente o uso de uma paleta natural e suave que seria mais agradável aos olhos. "Uma superabundância de cores não é natural e tem um efeito desagradável não apenas para os olhos, mas também sobre a mente" recomendava Nathalie Kalmus, "Um uso judicioso dos tons neutros como fundo para emprestar força e interesse aos toques de cor na cena". Na terceira, dizia que o fundo e os personagens não importantes à trama deveriam ser apresentados em cores neutras e as cores mais saturadas e os contrastes cromáticos mais acentuados sempre estariam associados aos personagens principais. A última regra visava evitar as justaposições que gerassem contraste acentuado, pois isso poderia tirar a atenção do espectador.

Fica claro que essa consultoria feita pela Technicolor visava restringir o uso da cor e não incentivava experimentações ou a criatividade. Alguns cineastas, porém, conseguiram driblar essas regras. George Folsey, Charles Rosher e Oswald Morris são alguns exemplos, apresentando resultados surpreendentes e inovadores em suas produções.

No entanto, foi a partir do início dos anos 40 com o Agfacolor e depois em 1952 com Eastmancolor que o uso da cor ganhou liberdade e expressividade.

No entanto, o uso da cor no cinema não deixou, jamais, de ser alvo de controvérsias. Em entrevista concedida em 1966, Andrei Tarkovsky dizia: "No momento eu creio que o filme colorido não é nada mais do que um truque comercial. Não conheço nenhum filme que tenha usado bem a cor. Em qualquer filme colorido, a sensação da cor se sobrepõe à percepção dos eventos. Na vida real nos raramente prestamos atenção à cor. Quando observamos alguma coisa acontecendo não nos damos conta da cor. O filme branco e preto cria imediatamente a impressão que a sua atenção está concentrada no que é mais importante. Na tela a cor se impõe por si mesma ao espectador enquanto na vida real isso acontece apenas em alguns momentos especiais logo não está certo que o publico fique o tempo inteiro consciente das cores.". Tarkovsky, ironicamente, aderiu ao uso cor pouco tempo depois da entrevista.

O surgimento de técnicas de captação e edição digitais na última década trouxeram novas possibilidades nunca antes imaginadas. Tanto nos filmes capturados direto no suporte digital, quanto nos ainda captados em película para posterior digitalização a imagem cinematográfica nesse novo formato permite manipulações quase ilimitadas. Muitas vezes o tratamento digital dessas imagens traz mudanças que o espectador não chega a perceber mas que fazem significativa diferença na percepção das imagens.

Com a manipulação da cor e do contraste em um filme podemos nos aproximar ou distanciar de um enfoque mais próximo da fantasia. Podemos dar realismo intenso ou fugir dele, indo de encontro à imagem caricatural. Podemos o que formos capazes de imaginar. E com a inovação constante de software e hardware a manipulação de cor tem seus limites de manipulação aumentados continuamente. Cabe aos diretores de arte e fotografia estarem a par dessa evolução para que se faça proveito das novas tecnologias disponíveis no mercado.

Notas:

* ASA ou ISO, (como é internacionalmente conhecido) mede a sensibilidade do filme à luz. Quanto maior o índice ASA, mais sensível à luz é o filme. Quanto mais sensível o filme, menor a quantidade de luz necessária para registrar uma cena.


Bibliografia:

Wikipédia, www.wikipedia.org
As histórias da História do Cinema, www.chambel.net
Jornal Express, www.jornalexpress.com.br
Associação Brasileira de Cinematografia, www.abcine.org.br
Youtube, www.youtube.com

crônica copa campus: concreto protendido x galáticos do ifcs

Concreto Protendido x Galáticos do IFCS. Domingo, 21 de setembro de 2008
Colégio Batista, Tijuca.

Em duelo definido nos detalhes, Galáticos leva a melhor sobre o Concreto
Os estudantes de história mostraram um bom futebol e ganharam de virada

André de Virgiliis

O já tradicional Concreto Protendido, vestindo azul, encontrou, nessa primeira rodada da X Copa Campus, o Galáticos da IFCS que participa pela segunda vez da competição. O fator experiência não foi suficiente para garantir a vitória aos futuros engenheiros que acabaram saindo derrotados depois de um confronto marcado pelo equilíbrio.

A primeira boa chance foi do Concreto aos três minutos, com o já famoso Ruy Bala que girou e bateu forte, o goleiro Diogo Zarur defendeu bem em um lance de puro reflexo. O jogo era marcado pela cautela e as duas equipes ainda se estudavam. Aos cinco o Galáticos respondeu com Gustavo Guimarães que arriscou de fora, a bola passou próxima ao ângulo esquerdo. Dois minutos mais tarde Renato França cobrou falta com violência no canto direito, o goleiro nada pôde fazer, 1 a 0 para o Concreto. Não parou por aí, na marca dos 10, Fábio de Freitas chutou de fora e a bola explodiu na trave, quase o segundo gol. A essa altura o jogo era muito disputado no meio-campo mas o Concreto Protendido jogava um pouco melhor. Tiros de longe eram muito explorados por ambos os lados.

Daí até o fim do primeiro tempo só deu Galáticos. Faltando 5 minutos para o intervalo, Pedro Mattos cobrou escanteio e Jonathas Félix completou para o gol de cabeça, mas o árbitro invalidou a jogada marcando falta de ataque do time de branco. Logo depois em uma cobrança de falta de do mesmo Jonathas, Samir Yasser, goleiro do concreto, espalmou mal e a bola ficou pingando na área até um defensor aparecer para cortar. Blitz do Galáticos. Aos 18, Pedro, muito bem na partida, chutou forte e a zaga cortou em cima da linha. Mas quando o cronômetro marcava 19 minutos, o Concreto não resistiu. Jonathas chutou forte e a bola finalmente entrou, 1 a 1. E foi assim que as equipes foram para o intervalo.

O primeiro tempo deixou claro como seria o clima da partida até o fim, igualdade total. O Concreto começou levemente melhor mas os aspirantes a historiadores tomaram as rédeas do jogo nos últimos minutos da etapa inicial. O empate momentâneo era justo.

Novamente o time de azul começa no ataque. Após linda jogada, Ruy Bala cruzou mas a zaga afastou com facilidade. O Galáticos revidou logo em seguida, aos três minutos Pedro Mattos mostrou agilidade ao chutar cruzado com perigo. O jogo se concentrava no meio-campo e as equipes evitavam se expor. O Concreto perdeu chance incrível quando Ruy Bala entrou sozinho de cara com o goleiro e desperdiçou, o tipo de lance que ele não costuma errar. O time de história respondeu na hora, Pedro mandou na trave. O equilíbrio não dava sinais de que sairia de cena e foi aí que, aos 15, Pedro, sempre ele, entrou bem pela esquerda e tocou cruzado na saída do goleiro, 2 a 1 para o Galáticos. O Concreto continuou lutando, Fábio de Freitas chutou forte e a bola passou com perigo à direita. Em uma última tentativa de empatar, Ruy bateu falta com violência mas a bola ficou na barreira. O árbitro pediu a bola e deu a partida por encerrada.

O segundo tempo correu exatamente como o primeiro. Os dois times jogaram um bom futebol mas o Galáticos soube aproveitar melhor as chances que teve e levou os três pontos. O time de história ocupa a segunda posição do grupo e enfrenta o Homens de Ferro no próximo domingo, já o Concreto está na última posição por ser o time com o menor número de gols marcados e encara o líder SOSP na próxima rodada.

Ao sair de campo, o atacante Ruy Bala confessou: “O nosso time vem com uma nova formação, estamos desentrosados, não rendi o que posso. A partida foi muito disputada mas no fim das contas os caras tiveram maior competência para marcar.”. Já Pedro Mattos soltou: “Tivemos um amistoso na última sexta e perdemos feio, por isso viemos com garra e vencemos. Visamos agora a próxima fase e além!”

E foi ainda debaixo de uma chuva fina que os dois times deixaram o Colégio Batista.